Ir ou não ir ao Nepal?

Antes de ter ocorrido o terremoto de 25 de Abril, já tinha orientado o rumo dos dias de liberdade, para me dar a conhecer um pouco do pensamento oriental que iria ser iniciado no Nepal e continuado na Índia.

O interesse de viajar para o continente asiático não começou desde agora, mas antes, desde a minha adolescência. Em que quando lia livros intitulados como orientais descrevia essa diferença de pensamento oriental / ocidental. Algo que aguça a curiosidade da descoberta e que amiúde é referido.

Mas o que é o pensamento e o mundo oriental?

Sempre estive e convivi com o que segundo dizem ser o pensamento ocidental e que para nós ocidentais é difícil perceber costumes, pensamentos e vidas orientais. Foi daqui que surgiu a curiosidade de me colocar frente a frente com esse mundo desconhecido.

E porquê o Nepal?

Não é ele o topo do mundo? Não será isso já por si só um factor de destaque e único?!

Está no meio de duas grandes potências como China e Índia, absorvendo das suas influências, apesar do isolamento que os Himalaias proporcionam. Este foi o meio de tentar racionalizar e justificar a vontade de lá ir.

Isto antes do dia 25 de Abril, data também importante para Portugal. A partir deste dia, do grande terramoto e das fortes réplicas que se seguiram a ideia de ir ao Nepal foi abandonada. Questões como o facto de ser um país com poucas infraestruturas, a segurança e o medo do desconhecido e das condições no local vieram ao de cima.

No entanto, estando atenta ao que por lá se ia passando, começou a haver quase que numa suplica o apelo dos governantes ao declararem que o Nepal é seguro para os turistas. Incentivando a visita ao país dizendo que é a melhor forma de ajudar dado que o turismo é dos principais factores de receita para o PIB.

No entanto à milhares de pessoas a dormir nas ruas, várias estradas interditas e a maior parte das infraestruturas ainda não foram reconstruídas. Com a chegada da época das monções este problema agrava-se. Para além de replicas e surtos de doenças poderem surgir.

Por outro lado, a vontade que tinha de lá ir permanece também. E agora, até mais que nunca, o povo precisa de incentivos e de ajudas, como por exemplo de turistas. Não será egoísmo? Não queria eu antes da tragédia lá ir?

Só o Diabo sabe o que isto é, francamente! O que para a razão é infâmia, para o coração é beleza.

Fiódor Dostoiévski, Os irmãos Karamázov

Mas o medo, o medo de sair da zona de conforto, o medo que já por si só é acrescido em ir para a Ásia, esse continente de tão diferente pensamento. Aquela mesma terra que despertou a intrépida aventura dos portugueses na descoberta do caminho marítimo para a Índia, na busca dos seus tesouros, as especiarias, os tecidos… por mares nunca antes navegados.

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Fernando Pessoa

E nestas conversas e desconversas a dúvida vai-se mantendo. O velho do restelo vai falando, e com ele vou permanecendo.

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