Liberdade do homem na História.

Tal como então na questão da Astronomia, também agora na questão da História toda a diferença nos pontos de vista assenta na aceitação ou na rejeição da unidade absoluta que serve de medida dos fenómenos visíveis.

Na Astronomia, era a imobilidade da Terra; na História, a independência do indivíduo — a liberdade.

Tal como para a Astronomia a dificuldade de reconhecer o movimento da Terra consistia em ter de renunciar ao sentimento imediato da sua imobilidade e a idêntico sentimento de movimentos dos planetas, também para a História a dificuldade de aceitar a sujeição do indivíduo às leis do espaço, do tempo e das causas consiste em renunciar ao sentimento imediato de independência da própria pessoa. Mas, tal como na Astronomia, a nova visão dizia: “ Na verdade, não sentimos o movimento da Terra, mas, admitindo a sua imobilidade, chegamos a um absurdo; admitindo o seu movimento, que não sentimos, chegamos às leis”, também a nova teoria da História diz: “ É verdade que não sentimos a nossa dependência, mas, ao admitirmos a nossa liberdade, chegamos a um absurdo; e, ao admitirmos a nossa dependência do mundo exterior, do tempo e das causas, chegamos às leis.”

No primeiro caso, era preciso renunciar à consciência da inexistente imobilidade no espaço e reconhecer o movimento que não sentimos; no caso presente, é também necessário renunciar à inexistente liberdade e reconhecer a dependência que não sentimos.

Lev Tolstoi, Guerra e Paz, Volume II

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