Eternidade

— Sabes, eu penso —disse Natacha num sussurro (…) — que, quando recordamos, recordamos tudo assim, desta maneira, a tal ponto que até nos lembramos daquilo que aconteceu antes de estarmos neste mundo.

— Isso é metempsicose — Disso Sónia, que sempre tinha estudado bem e recordava tudo. — Os egípcios acreditavam que as nossas almas estavam nos animais e depois voltavam em animais.

— Não, sabes, eu não acredito nisso, que nós estivéssemos em animais— disse Natacha (…) —, mas sei de certeza que éramos anjos algures que estivemos aqui e por isso nos lembramos de tudo…

(…)

—Se nós fomos anjos, porque é que viemos parar mais baixo? — disse Nikolai. —Não, isso não pode ser!

— Não é mais baixo, quem te disse que é mais baixo?… Como é que sei aquilo que fui antes? — objetou Natacha com convicção. — Porque a alma é imortal… portanto, se eu vou viver para sempre, também vivi antes, vivi toda a eternidade.

—Sim, mas para nós é difícil imaginar a eternidade — Disse Dimmler (…)

— Porque é que é difícil imaginar a eternidade? — Disse Natacha. — Existe hoje, existirá amanhã, existirá sempre, e existiu ontem, e anteontem…

Lev Tolstoi, Guerra e Paz, Volume II

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