Quadros mal pintados

Toda a vida se lhe apresentou como uma lanterna-mágica para a qual estivera a olhar durante muito tempo através de um vidro e com iluminação artificial. Agora via de repente, sem vidro, à clara luz do dia, esses quadros mal pintados.

“Sim, sim, aí estão essas falsas imagens que me agitavam, me encantavam e me atormentavam — dizia a si mesmo, passando em revista na sua imaginação as principais cenas da sua lanterna-mágica da vida, olhando-as agora, àquela luz fria e branca do dia, a clara ideia da morte. — Ei-las, essas figuras toscamente pintadas, que se apresentavam como qualquer coisa de belo e misterioso. A glória, o bem da sociedade, o amor por uma mulher, a própria pátria… que grandiosos me pareciam esses quadros, cheios de um tão profundo significado! E tudo isso é tão simples, tão pálido e grosseiro à luz branca e fria desta manhã que, sinto-o, é para mim que ela se ergue.”

Lev Tolstoi, Guerra e Paz, Volume II

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