A cidade

Para este esvaecimento pois da obra humana, mal ela se contempla de cem metros de altura, arqueja o obreiro humano em tão angustioso esforço? Hem, Jacinto?… Onde estão os teus armazéns servidos de três mil caixeiros? E os bancos em que retine o ouro universal? E as bibliotecas atulhadas com o saber dos séculos? Tudo se fundiu numa nódoa parda que suja a Terra. Aos olhos piscos de um Zé Fernandes, logo que ele suba, fumando o seu cigarro, a uma arredada colina — a sublime edificação dos Tempos não é mais o que um silencioso monturo da espessura e da cor do pó final.

O que será então aos olhos de Deus!

(…)

— Sim, é talvez tudo uma ilusão… E a Cidade a maior ilusão!

A Cidade e as Serras, Eça de Queirós

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