A semente

O melhor jogador de xadrez, por mais perspicaz que seja, apenas é capaz de calcular alguns lances próximos; de um xadrezista francês, que conseguia prever até dez lances, falava-se como se de um milagre se tratasse. Por isso, pergunto eu, quantos lances pode haver numa vida e quanta coisa dessa vida é para nós desconhecida? Lançando uma semente, uma “esmola”, uma boa acção, assuma a forma que assumir, oferece-se uma parte da nossa personalidade própria e recebe-se uma parte da outra; há uma comunhão e, com um pouco de atenção, pode ser-se recompensado com a sabedoria, com as mais inesperadas descobertas. Começará inevitavelmente a encarar-se, por fim, a nossa actividade como uma ciência; abarcar-se-á toda a nossa vida e poderá preencher-se toda a nossa vida. Por outro lado, todas as nossas ideias, todas as sementes lançadas por nós, que provavelmente até já teremos esquecido, germinarão e crescerão; quem de nós receber, transmitirá ao outro. E como podemos saber que participação isso terá na futura solução dos destinos da humanidade? E se o conhecimento e o trabalho de toda uma vida nos elevarem, finalmente, até sermos capazes de lançar uma semente enorme, de deixar ao mundo uma ideia gigantesca, então…

O idiota, Fiódor Dostoiévski

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s