O belo

—Tens toda a razão, Knulp. Tudo é belo, desde que o vejamos na altura certa.

— Sim, mas ainda penso o seguinte. Acho que o mais belo é sempre de tal modo que, para além do prazer que sentimos, há sempre uma mágoa ou um receio que lhe vêm associados.

—Como assim?

—O que quero dizer é que talvez não achássemos uma donzela daquelas bem bonitas assim tão encantadora se não soubéssemos que também ela tem o seu apogeu e que depois envelhecerá e acabará por morrer. Se as coisas belas se mantivessem na mesma para todo o sempre, com certeza teria satisfação nisso, mas então olhá-las-ia com maior frieza e pensava: “ Ainda vais ter muitas oportunidades de ver isso, não tem necessariamente de ser hoje.” Pelo contrário, aquilo que é transitório e efémero é por mim visto com interesse e não só me traz alegria como também uma certa mágoa.

Hermann Hesse, Knulp

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