Gelatina

Com espanto, apercebi-me de que o homem se diferencia da restante natureza, especialmente por uma escorregadiça gelatina de mentira que o envolve e protege. Em breve observei em todos os meus conhecidos este fenómeno: o resultado da circunstância de cada qual ser forçado a representar uma personalidade, uma figura nítida, enquanto, de facto, nenhum conhece o mais fundo do seu ser. Com estranhos sentimentos, reconheci o mesmo em mim próprio, e desisti então de pretender penetrar no fundo das pessoas. Na maioria delas, a gelatina era muito mais importante. Deparei com ela por toda a parte, até nas crianças que sempre, consciente ou inconscientemente, preferem representar um papel a apresentar-se inteiramente sem reservas e instintivamente.

Hermann Hesse, Peter Camenzind

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