Mola oculta

Ah! Sabia-se tão pouco dos homens, tão desesperadamente pouco. Aprendiam-se na escola centenas de datas de ridículas batalhas, os nomes de ridículos reis antigos, e todos os dias, nos jornais, se liam artigos sobre impostos e sobre os Balcãs, mas dos homens nada se sabia. Quando um sino deixa de tocar, quando um fogão deita fumo, quando uma roda pára na máquina, logo se sabe procurar o defeito, procura-se com ardor, encontram-se e sabe-se como remediá-lo. Mas a mola oculta, a única que dá sentido à vida, a única que vive, que é capaz de sentir prazer e dor, de aspirar plenitude, de sentir plenitude em nós — essa é desconhecida, dela nada se sabe, nada mesmo, e quando ela adoece não há cura. Não era de enlouquecer?

Hermann Hesse, Ele e o outro (Klein und Wagner)

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